Testemunho: Sérgio Luis Vasconcelos

E comeram, e saciaram-se; e dos pedaços que sobejaram levantaram sete cestos”

Marcos 8:8

Como duvidar do amor de Deus e de sua providência depois de presenciar momentos tão marcantes da mais pura manifestação do Espírito Santo?

Quando começamos não tínhamos nada. Éramos duas pessoas e um milhão de dúvidas. Fomos convidados, minha esposa e eu, para cuidar da alimentação de um evento do qual só sabíamos o nome: Aviva Mariana. Excelente estímulo para quem inicia uma caminhada sem saber exatamente para onde vai.

Aceitamos o desafio e arregaçamos as mangas. Deus proverá!

O primeiro obstáculo foi encontrar pessoas para compor a nossa equipe. Filha, vem cá! Primeira integrante da equipe. E fomos à procura de outros servos dispostos a nos ajudar. Garimpando pedra a pedra, pepita a pepita, colecionamos um verdadeiro tesouro de criaturas iluminadas que foram, aos poucos, engrossando nossas fileiras: Rogéria, Clayton, Natália, Ana Beatriz, Terezinha… O sim de vocês nos inspirou e motivou a seguir em frente! Aumentou nossa fé. Mas ainda éramos poucos…

De desafio em desafio fomos colecionando pequenas vitórias. Em cada conquista a presença providencial de um “anjo” portador de boas novas. Uma das que considero mais importantes veio de uma forma inusitada. Estávamos procurando possíveis fornecedores para a refeição do evento: restaurantes, buffets, serviços de festas, etc. Tínhamos já alguns orçamentos, mas eu sentia que ainda não estávamos perto da melhor solução. Faltava um “quê” a mais… Até que alguém, do qual não me lembro mais o nome, me mandou uma mensagem bem pequenininha, dizendo que o pessoal das Obras Sociais Lírios do Campo tinha interesse nesse fornecimento. Coincidência? Passei a não acreditar mais em coincidências. Era o detalhe que faltava. “Aviva” não era mais só um nome, uma promessa. Começamos a dar um sentido mais amplo ao encontro.

Deus havia encaminhado a solução para o almoço. Tudo resolvido! Ah, quem dera. Faltavam as barracas. Como montar a infraestrutura para as barracas? Nossos dois novos anjos trariam as respostas: Elizângela e Vanessa. Vieram com a alegre incumbência de nos ajudar com o que precisássemos. E como precisávamos! Com sorrisos nos lábios e grande determinação, foram fundamentais para que tudo fosse preparado. Agora sim, só cuidar dos detalhes. Seria, se não tivéssemos a primeira baixa. A primeira integrante da equipe, logo nossa filha, foi convidada a coordenar a equipe que serviria lanche aos servos do evento. Espera aí! Lanche não é alimentação? Quem sabe se ao invés de dividir, nós não temos é que multiplicar?… Jesus não dividiu primeiro os pães e os peixes para depois os multiplicar? Era um sinal. Vá, monte sua equipe e depois se junte a nós, filha. Trabalharemos em conjunto. Como o Espírito Santo vem ao nosso auxílio quando dele precisamos… mais anjos vindo em nosso amparo: José Geraldo, com sua experiência, Pietro, Luciana, Rosiane e as duas Luísas, que vieram trazendo juventude e fogo para nos animar.

Depois foi correr atrás das providências. Muitas providências. Como já disse, de desafio em desafio podíamos perceber a mão de Deus em tudo que fazíamos. Ele foi preparando tudo para nós. Mas somos incrédulos, e começamos a duvidar: será que conseguiremos as doações que precisamos? Será que conseguiremos montar as equipes para os caixas? Será que vamos dar conta de atender a todos? Será que não vai faltar isso? Será que não vai sobrar aquilo? Será que vai dar tempo… Para cada pergunta uma única resposta possível: vamos ter fé e confiar. Deus proverá!

E proveu. Ele nos honrou em tudo. Aos poucos fomos percebendo que nossas dúvidas e medos não faziam sentido, porque aquele encontro já estava desenhado nos desígnios do Pai. Começamos a sentir de forma muito forte em nossos corações que havia um propósito para tudo. Uma certeza brotava em nosso meio de maneira tão contundente que já não havia mais razão para ter medo. Ele soprava nos nossos ouvidos a cada dia: “Não temas”! E essa certeza foi ficando tão concreta, que uma profecia foi colocada para nossa equipe: estávamos prestes a presenciar momentos de provações e dificuldades, mas sobretudo seríamos testemunhas de muitas graças e bênçãos que se manifestariam naquele lugar.

Começaram as provações. Alguns membros da equipe se afastaram por problemas familiares. Outros ficaram doentes. Eu mesmo quase adoeci, e só não caí doente porque percebi que isso era uma provação e teimei em não me entregar. Problemas no trabalho, acertos já feitos voltavam a se desfazer. Não conseguíamos as doações necessárias para montar os lanches. Além disso, já próximo ao evento, a adesão estava tão baixa que tivemos que prorrogar as inscrições por duas vezes. Cada prorrogação aumentava a tensão, porque não havia como prever com antecedência o número de participantes. Já pensou se faltasse comida? E Ele aquecia o nosso coração, dizendo: “Não temas”!

Alguns dias antes, mais uma provação. Não tínhamos conseguido montar as equipes para o trabalho nos caixas. O que fazer? No silêncio da oração, a resposta. Vocês não estão sozinhos. Com algumas trocas de mensagens e muita inspiração divina, a cavalaria veio nos salvar. Martins e sua (abençoada) equipe se dispuseram a assumir os caixas. É emocionante sentir a presença de Deus no “sim” daqueles que se colocam a Seu serviço, mesmo anonimamente. Na grande correria, não conseguimos saber nem o nome de alguns deles. Mas o nosso agradecimento é plural e sincero: muito obrigado!

Já às vésperas, muito trabalho. Ainda tínhamos que deixar tudo preparado: cortar e carimbar 10.500 fichas; preparar 700 lanches; lavar e higienizar 12 garrafas térmicas de 5 litros; preparar 60 litros de achocolatado. Seria muito difícil conseguir fazer tudo isso em tão pouco tempo, levar tudo para a Arena e ainda conferir as barracas, o almoço, etc, etc. Novamente Deus nos presenteou, enviando mais um anjo. Um anjo tagarela e inquieto de nome Bruno, daqueles que você olha e pensa: parece que eu já conheço de algum lugar… um que chega e se achega, com ares de pessoa da família, sabe? E a gente se afeiçoa rápido, porque parece que tem o sinal do Espírito Santo estampado no peito, e em tudo que toca fica um cheirinho de perfume que lembra rosas, incenso e a casa da infância. Anjos modernos, jovens, espertos. Deixam a gente no chinelo…

Enfim, o encontro. Bom, quem trabalha num encontro como esse vive de flashes. Uma parte da pregação aqui; um pedaço da adoração ali; e muito corre-corre. A Natália que o diga, coitada, correndo com as caixas de fichas antes das missas para que todos nós pudéssemos participar. Mas na doação e no serviço também ganha-se algo que não tem preço. É possível sentir a presença do Espírito Santo em cada problema que surge e em cada solução que é dada. Em cada gesto de fé, em cada olhar umedecido pelas lágrimas. As coisas vão se sucedendo de uma forma tão inexplicável que é impossível não acreditar que Deus vai desembaraçando as linhas que Ele mesmo desenhou, e nós, na nossa falta de jeito, vamos deixando se emaranharem. Desconfiamos de tudo e às vezes somos levados pelo desânimo e pelo cansaço, mas Ele continua a nos dizer: “Não temas”! E em cada rosto transformado pela ação do Espírito Santo Ele se manifesta perante a nós e nos mostra o quanto sua misericórdia é grande e eterna!

Diante de tanta dúvida, tanto temor no início, nos deparamos agora com uma verdade incontestável que queima nossos rostos e nosso coração: todos comeram, alimentaram a alma e o corpo com tanta fartura que era possível vermos transbordando em cada um a bênção, a graça, a paz, o perdão. Todos se saciaram e muito ainda sobrou. No repartir do pão se manifestou a Glória de Deus. A profecia se realizou…

Que venha o próximo Aviva!

 

Sérgio Luis Vasconcelos

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